Day Trade no Mercado de Opções

No mercado existe a possibilidade de realizar operações de day trade em opções, ou seja, a abertura e fechamento de uma determinada posição em um mesmo pregão. A liquidação dessas operações é exclusivamente financeira, não havendo modificação na custódia ou transferência de ativos mas somente atualização do saldo. É possível realizar este tipo de operação durante todos os dias, salvo no dia específico do vencimento da opção, quando somente o encerramento de posições previamente abertas é permitido.

Conforme já foi mencionado, a alavancagem das opções potencializa os ganhos assim como as perdas, tornando-as, em razão disso, no ativo favorito dos investidores que fazem day trade. Isso porque a menor oscilação do preço do ativo objeto pode induzir uma grande oscilação percentual no preço de uma opção. Assim, não são raras histórias de especuladores que obtiveram ganhos de 300%, 500%, ou mesmo 1000%, num só dia comprando opções a seco.

E de fato a volatilidade de uma opção durante um pregão costuma ser bastante alta. Vários são os dias em que o preço de uma determinada opção sai de R$ 0,20 para R$ 2,20, ou mesmo, de R$ 2,20 a R$ 0,20, por exemplo. Assim, os movimentos muitas vezes são extremos e podem causar perdas enormes rapidamente caso o especulador esteja com uma posição contrária à variação do preço do ativo objeto.

Esse é o grande risco para quem especula com opções, pois o fato de não contar com uma proteção (hedge) faz com que o investidor tenha que suportar consideráveis perdas de capital repetidas vezes, exigindo então método e disciplina. O ganho, por outro lado, também pode ser muito alto. Embora os ganhos circunstanciais sejam motivos de grande euforia para os investidores menos experientes, o que determina de fato a sobrevivência do especulador é a eficiente gestão do capital, aliada à disciplina e um profundo conhecimento das relações de risco/retorno envolvidas em seu método operacional.

“Lembre-se: Quando você não está fazendo nada, aqueles especuladores que sentem que devem operar todos os dias e a toda hora estão lançando as bases para a sua próxima operação. Você vai colher os benefícios dos erros deles”.

Jesse Livermore

A forma mais comum de day trade é uma aposta direcional no movimento do preço de um ativo durante o andamento de seu pregão. Existem basicamente 4 estratégias fundamentais para quem faz day trade com opções: Compra a seco de uma CALL; venda a descoberto de uma CALL; compra a seco de uma PUT e venda a descoberto de uma PUT.

Esta última estratégia costuma requerer maior margem, pois além do lançador de uma put estar sempre descoberto, as puts tendem a ter menos liquidez em relação às calls, dependendo basicamente do formador de mercado para movimentar o seu livro de ofertas. O vendedor de uma put fica exposto a um enorme risco caso sua operação dê errado, ou seja, caso ocorra uma expressiva desvalorização do preço do ativo objeto. Isso porque o seu prejuízo máximo equivale ao preço de exercício da put, dado que teoricamente o máximo que o preço do ativo objeto pode se desvalorizar é até zero, fator que não compensaria o pequeno retorno obtido com a venda (prêmio).

Isso faz com que a primeira estratégia seja mais interessante e menos arriscada comparativamente, e por isso muito mais comum. O prejuízo máximo do comprador da call é equivalente ao valor investido na opção e o potencial de lucro máximo é ilimitado.

"Dinheiro é um negócio curioso. Quem não tem está louco para ter; quem tem está cheio de problemas por causa dele".

Ayrton Senna

Para uma aposta na queda do preço do ativo objeto o day trader pode comprar puts, apostando na sua valorização, operação em que o potencial de lucro máximo é igual ao preço de exercício da PUT, e também pode vender calls a descoberto, ou mesmo, cobertas, apostando na sua desvalorização.

A venda a descoberto de calls requer margem e expõe o day trader a um enorme risco caso a sua operação dê errado, ou seja, caso ocorra uma expressiva valorização do preço do ativo objeto, pois seu prejuízo máximo é ilimitado, dado que teoricamente não há limite para a valorização do preço do ativo. Isso pode fazer com que no dia do vencimento, suas opções vendidas a descoberto sejam exercidas.

No caso de uma call vendida a descoberto ser exercida, o seu lançador terá que comprar o ativo objeto ao preço de mercado e vendê-lo ao titular dessa call pelo preço de exercício desta, ou seja, abaixo do preço de mercado. No caso de uma put ser exercida, o seu lançador terá que comprar do titular desta o ativo objeto pelo preço de exercício dela, ou seja, acima do preço de mercado.

Toda venda de opções implica em depósito de margem de garantia. Mas no caso da venda coberta de uma call o lançador apenas teria que vender seus ativos por um preço abaixo do atual, caso fosse exercido, o que ainda resultaria em prejuízo, pois deixaria de ganhar a parte da valorização do ativo objeto que excedeu o preço de exercício da opção.

Em suma, podendo o day trader comprar puts para se beneficiar da queda do preço do ativo objeto não há o que justifique o risco de uma venda a descoberto de calls ou da venda de puts em relação ao pequeno retorno obtido (prêmio). O risco nestes casos, por ser praticamente ilimitado, deve ser evitado ou administrado ativamente para prevenir perdas gigantescas, situação em que o investidor pode até mesmo ficar devendo à corretora e ter seu direito de operar na Bolsa suspenso, sem contar a dívida adquirida que será executada.

De maneira geral, para que o comprador a seco e o vendedor a descoberto de opções tenha algum lucro é preciso acertar em todos os aspectos possíveis, caso contrário, só irão auferir prejuízos. Neste sentido, especuladores que fazem day trade preferem comprar opções de compra e de venda, preferencialmente as que estão no dinheiro (ATM), pois além de serem as mais líquidas, respondem melhor às variações no preço do ativo objeto em relação às opções OTM e possuem prêmios mais baratos em relação às opções ITM.

A maioria utiliza gráficos em tempo real para definir o timing de suas operações, normalmente no período de 5 minutos. A ideia é acompanhar o gráfico do preço do ativo objeto e da sua opção (CALL e PUT), bem como o gráfico em tempo real de algum índice de mercado, tal como Dow Jones, S&P 500, o Ibovespa Futuro ou algum índice setorial, no intuito de identificar a tendência do mercado e pontos de compra e de venda na opção.

“Quando se opera opções a seco o lucro vem em canequinhos e é devolvido em baldes”. 

Capital e Valor

Conforme dito anteriormente, o mercado financeiro está cada vez mais mecanizado e a liquidez está canalizada nas operações dos investidores institucionais. Como consequência disso, os preços dos ativos, em especial daqueles mais líquidos, ficam travados pelas constantes ordens de robôtraders dos grandes fundos. Por outro lado, os movimentos de preço, quando acontecem, são muito rápidos e difíceis de serem previstos, mesmo com a utilização de gráficos em tempo real.

Na prática os grandes players acabam se tornando “condutores de manadas” e a maneira como manipulam o preço dos ativos faz com que seja muito difícil definir sua tendência no curto prazo. Frequentemente utilizam o elemento surpresa, fazendo por exemplo com que o preço de ações de empresas caiam quando são anunciados lucros recordes e acima do esperado, e que subam quando resultados ruins são divulgados ao mercado.

Opções sobre ações de empresas como Petrobrás e Vale do Rio Doce atualmente são extremamente líquidas em relação às opções sobre os demais ativos. Sendo as que estão no dinheiro as mais líquidas dentre elas. Para o lançador a liquidez não é um fator tão importante quanto para o especulador que compra opções. Caso as opções compradas não tenham liquidez, ou mesmo, percam a liquidez (falta de compradores), ele receberá preços ruins pela venda das mesmas e poderá até mesmo não conseguir encerrar sua posição, ficando obrigado a carregá-las até o vencimento e exercê-las, caso seja vantajoso e possua o capital para tanto.

Existem várias formas para se especular com opções. Cada investidor ao optar por uma deve buscar a que seja mais adequada ao seu perfil. Alguns day traders preferem operar somente nas reversões de tendência do mercado, outros operam na tendência do preço do ativo. Uns escolhem opções ATM (do dinheiro), pois seu delta é maior do que nas opções OTM (fora do dinheiro), o que fará com que acompanhem melhor às variações no preço do ativo objeto.

Já outros preferem operar opções OTM, pois além de seus prêmios serem mais baixos, caso haja uma expressiva variação no preço no ativo objeto seu valor terá um aumento percentual bem maior em relação às opções dentro do dinheiro e à opção do dinheiro, nas quais o aumento nominal é que será maior. Entretanto, ao comprarem opções cujo delta é muito baixo suas chances de sucesso são muito menores, pois a probabilidade de que sejam exercidas é muito baixa.

Essa estratégia é conhecida como “comprar um bilhetinho”, assim como fazemos nas casas lotéricas, só que neste caso é na Bolsa. Opções de centavinho que custam em torno de R$ 0,20 podem vir a ficar dentro do dinheiro num só dia quando uma expressiva variação no preço do ativo objeto ocorre na semana anterior ao vencimento. Caso haja uma grande valorização no preço do ativo uma call de R$ 0,20 pode passar facilmente de R$ 1,00, da mesma forma que uma put de R$ 0,20 pode passar facilmente de R$ 1,00, caso haja uma grande desvalorização do preço do ativo.

O grande problema dessa estratégia é que raramente esses fortes movimentos de preço ocorrem em sincronia com a semana do vencimento das opções, fazendo com que quando somadas as repetidas tentativas anteriores que falharam resultem numa significativa quantidade de dinheiro perdido, pois quando uma expressiva variação no preço do ativo objeto não acontece, ou ocorre no sentido contrário à estratégia do especulador, essas opções de centavinho viram pó e todo o capital investido é perdido.

“Quanto mais tempo se espera pelo milagre mais adentro a faca entra”.

Capital e Valor

Nas opções muito fora do dinheiro, devido ao seu delta ser baixo, variações no preço do ativo objeto inferiores a 1% terão pouco efeito sobre seu prêmio. E desde que se mantenham fora do dinheiro até o vencimento irão expirar e seus vendedores embolsarão a totalidade do valor prêmio recebido pela venda. Essas opções oferecem menores ganhos aos seus vendedores, mas a possibilidade de que sejam exercidas é bem menor em comparação às opções ITMs e à ATM.

Em razão disso, alguns especuladores “oportunistas” costumam vendê-las a descoberto na semana do vencimento no intuito de aguardar que expirem sem valor para embolsar o seu pequeno prêmio. Ao contrário do bilhetinho, essa estratégia costuma funcionar mais vezes. Porém, quando dá errado, ou seja, quando o preço do ativo objeto sofre uma expressiva variação no sentido contrário à sua estratégia, esses especuladores sofrem enormes prejuízos, os quais além de tomarem de volta os lucros acumulados das vezes anteriores que deram certo podem fazer com que fiquem devendo às suas corretoras.

Por exemplo, supondo que o preço de mercado do ativo VALE5 esteja em R$ 36,00 e a VALEH36 na quarta feira da semana do vencimento esteja cotada a R$ 0,30 e um especulador a venda a descoberto no mercado. Enquanto o preço do ativo objeto se mantiver em R$ 36,00 o exercício dessa call não compensará, e caso no dia do vencimento esteja cotado abaixo disso a opção irá expirar e o vendedor terá embolsado de lucro o prêmio da venda.

Mesmo que o ativo objeto fique um pouco acima de R$ 36,00, ainda assim o exercício dessa opção pode não compensar, pois quando descontados os custos operacionais do exercício (corretagem e emolumentos) o seu exercício não será vantajoso para o seu titular. É o chamado vencimento “lusitano”, quando na prática não há ou há pouca vantagem em se exercer uma opção em razão do preço de mercado do ativo objeto estar muito próximo do preço de exercício da opção. Isso faz com que mesmo uma opção que está no dinheiro possa expirar sem valor.

A venda  de opções descobertas pode parecer-se à criar dinheiro do nada, entretanto, uma forte variação no preço do ativo objeto pode levar o especulador à falência. A verdade é que essas operações requerem elevada margem e expõem o especulador a enormes riscos mediante lucros medíocres que, portanto, não compensam a realização desse tipo de operação. Todo investidor é submetido a riscos, mas é importante frisar que o risco para os compradores não é o mesmo que para os vendedores.

Em razão disso, dependendo da estratégia todo capital aplicado em opções pode vir a ser perdido e o investidor comprado deve estar ciente desse risco. Por sua vez, o lançador de uma opção deve ter capacidade financeira para cobrir eventuais prejuízos que potencialmente podem ser vultuosos, bem como dispor de garantias suficientes para atender às exigências de margem. Uma das características de quem opera risco da forma correta e profissional é só aceitar riscos limitados e cobertos. Aceitar risco ilimitado é uma conduta irresponsável de quem não respeita o mercado e nem a si mesmo.

Como fora dito, não basta apenas auferir lucro, mas auferi-lo de uma maneira eficiente e que seja sustentável no longo prazo. Para realizar day trade com opções – mais do que em qualquer outra forma de especulação – é preciso ter estratégias e objetivos muito bem definidos, bem como cumpri-los de forma disciplinada. Dificilmente um especulador de opções não tem perdas. Por isso, é fundamental que o investidor limite e aceite as suas perdas, e acima de tudo, saiba o momento certo de realizar o lucro e de parar de operar.

“Não nos libertamos de um hábito atirando-o pela janela; é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau”.

Mark Twain

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