Estratégias de Investimento no Mercado a Termo

No mercado a termo é possível implementar diferentes estratégias de acordo com o perfil do investidor, desde operações conservadoras, como um financiamento ou uma venda futura, até especulativas, como a alavancagem de ganhos ou realização de caixa. Dentre as principais estratégias do vendedor a termo estão:

• Financiamento: Nesta operação o interesse do investidor é receber a taxa de juros do termo. Consiste em comprar a ação no mercado à vista e imediatamente vendê-la a termo. O investidor irá receber no vencimento do termo, ou mesmo, antecipadamente caso o comprador o encerre antes do prazo, a diferença entre o preço à vista e o preço a termo, ou seja, os juros da operação.

É uma estratégia de baixíssimo risco, pois o financiador do termo sempre receberá o valor acordado na venda. Em razão dos altos custos com corretagem essa operação muitas vezes só é viável para investidores institucionais. Entretanto, existem corretoras que cobram taxa de corretagem fixa para os vendedores a termo, o que viabiliza esse tipo de estratégia para o investidor pessoa física.

• Aumentar a receita de uma venda de ações: Um investidor que decide vender suas ações, mas que não pretende utilizar esse capital imediatamente, pode vendê-las a termo e receber seu valor acrescido de juros numa data futura, aumentando assim o retorno do seu investimento.

Do lado do comprador, o mercado a termo possibilita algumas vantagens, principalmente para aqueles de perfis mais agressivos que utilizam compras a termo como estratégias especulativas. Normalmente são as corretoras e os bancos que são os financiadores das compras a termo, ou seja, estas instituições compram a ação no mercado à vista e a vendem a termo para o investidor em troca do juro.

"Eu gostaria de viver como um homem pobre cheio de dinheiro".

Pablo Picasso

• Alavancar possíveis ganhos: Em razão das compras a termo serem feitas em margem, será requerido do comprador como garantia para a realização da operação algo em torno de 20% do valor da compra a termo. Assim, o mercado a termo possibilita ao comprador que controle um volume de recursos superior ao que sua disponibilidade financeira lhe permite. E caso o preço da ação se valorize, a alavancagem lhe proporcionará um retorno muito maior em relação à uma compra à vista.

Por exemplo, um investidor que possui um capital de R$ 36.000,00 e acredita na valorização da ação VALE5, negociada em 17/08 no mercado à vista a R$ 35,70, poderia comprar 1000 ações à vista ou depositar essa quantia como margem de garantia e comprar uma quantidade muito maior a termo. Supondo que a margem requerida seja de 20% e a taxa do termo de 30 dias para a VALE5 seja de 0,75%, o investidor poderia comprar a termo 5000 VALE5 a R$ 35,97 utilizando o mesmo montante de capital como margem. Caso após 15 dias ocorra uma valorização de 5% no valor da ação, tendo feito a compra no mercado à vista, seu lucro seria de R$ 1785,00 (1000 x R$ 1,785).

Mas caso tenha tomado vantagem da alavancagem da compra a termo e após 15 dias vendesse as 5000 VALE5 no mercado a vista e solicitasse o encerramento do termo, seu lucro seria de R$ 7575,00 (5000 x R$ 1,515). Em ambos os exemplos estão sendo ignorados os custos com emolumentos, entretanto, quando descontado da operação a termo o custo da corretagem variável da compra (0,5% ou R$ 900,00), o lucro líquido da operação seria de R$ 6675,00.

Porém, caso a ação VALE5 após 15 dias se desvalorizasse 5%, o prejuízo da compra à vista de 1000 ações seria de R$ 1785,00. Mas no caso da compra alavancada no termo o prejuízo seria de R$ 10300,00 (5000 x R$ 2,06) mais R$ 900,00 da taxa de corretagem, totalizando uma perda de R$ 11.200,00, ou seja, um prejuízo de 31,11% sobre seu capital de R$ 36.000,00.

“Ao combinar ignorância com alavancagem, se obtém resultados bem “interessantes”.

Warren Buffett

• Diversificar Riscos: No exemplo citado se ao invés de possuir o dinheiro o investidor possuísse uma carteira de 1000 BBDC4 no valor de R$ 36.000,00, ela poderia ser utilizada como margem de garantia para a compra a termo das 5000 VALE5.

Assim, para realizar uma compra a termo não haveria necessidade de se desfazer de sua carteira. Utilizando-a como margem de garantia o investidor estaria tomando um empréstimo no mercado para comprar ações e pagar por elas numa data futura. Situação em que poderia aproveitar a valorização de ambas as posições, caso  isso ocorresse. E mesmo uma eventual perda com uma ação poderia ser compensada com o ganho da outra. Vale ressaltar que é comum que haja um deságio no valor das ações aceitas como margem para termo pelas corretoras.

Por se tratar de uma operação financeira de alavancagem, investidores que efetuam operações a termo estão sujeitos ao risco de perdas potenciais superiores às garantias depositadas (risco de patrimônio líquido negativo). Ficando responsáveis por novos aportes de capital para a manutenção das garantias ou para o cumprimento das obrigações. Logo, ao alavancar uma compra, assim como o lucro potencial nos casos em que a operação der certo, o investidor também estará alavancando sua perda potencial nos casos em que a operação der errado, aumentando assim o seu risco.

O risco do comprador alavancado a termo pode ser gerenciado através do hedge da posição. Conforme dito anteriormente, o hedge é a operação realizada no mercado futuro que visa fixar antecipadamente o preço de uma mercadoria ou ativo financeiro de forma a neutralizar o impacto de mudanças no nível de preços do mercado à vista. 

Uma maneira de proteger uma compra a termo desse risco é comprar opções de venda  com preço de exercício próximo ao preço pago a termo pela ação. Caso o preço dessa ação se desvalorize, o investidor ao exercer suas opções de venda poderá vender essas ações por um preço próximo ao preço acordado na compra a termo.

No exemplo, para fazer o hedge de sua posição comprada a termo em VALE5 a R$ 35,97, o investidor teria que comprar 5000 VALEU36. Essa opção de venda lhe dará o direito de vender a ação VALE5 por R$ 36,00 até o seu vencimento e seu valor de mercado é de R$ 0,70. Esse será o seu seguro contra perdas, cuja apólice lhe custará R$ 3500,00. No caso de uma alta de 5% no preço da ação, o valor pago por essas opções de venda será perdido, pois seu prêmio (valor de mercado) se desvalorizará quase que integralmente. Logo, o valor pago pelas PUTs deverá ser descontado do lucro, que ficaria em R$ 3175,00 (R$ 6675,00 – R$ 3500,00).

Entretanto, caso ocorresse uma desvalorização de 5% no preço da VALE5, o investidor poderia exercer suas PUTs e vender 5000 VALE5 a R$ 36,00. Seu prejuízo ficaria limitado ao valor pago pelas opções de venda acrescido dos custos da operação, ou seja, R$ 4400,00 (R$ 3500,00 + R$ 900,00). Um resultado, ainda que negativo, melhor do que o prejuízo de R$11.200,00 que teria caso não tivesse feito o hedge.

“As Bolsas de Valores, como os aviões, são 100% seguras: todo avião que sobe desce”.

Joelmir Beting

• Operação de Caixa: Esta estratégia atende a uma imediata necessidade de recursos por parte do investidor para uma aplicação de curto prazo. Caso possua uma carteira de ações e necessite de dinheiro imediato, ele pode vendê-las no mercado à vista e utilizar a maior parte da receita da venda para um investimento de curto prazo. A menor parte da receita será utilizada para comprar as mesmas ações a termo.

Assim, o investidor poderá atender às suas necessidades de curto prazo e quando essas aplicações forem liquidadas poderá encerrar o termo e comprar de volta suas ações por um preço próximo ao que estavam quando às vendeu somado aos juros do termo.

Em suma, a alternativa de vender as ações à vista para sua imediata compra a termo permite ao investidor fazer caixa e ao mesmo tempo manter sua participação na empresa. O custo dessa operação são os juros do termo cobrado de acordo com o prazo.

• Proteger Preços: Nessa estratégia o investidor utiliza o mercado a termo para fixar o preço de uma determinada ação que acredita que poderá se valorizar (hedge). Caso não possua de imediato a totalidade dos recursos que pretende investir na ação, o investidor pode comprá-la a termo de acordo com o prazo que levará até receber os recursos, quando então poderá encerrar o termo e efetuar a compra das ações pelo preço estabelecido.

Isso possibilita que o investidor não perca uma possível valorização do preço de uma ação em razão de estar momentaneamente descapitalizado, pois para uma compra a termo, lhe será requisitado como margem apenas cerca de 20% do valor que pretende comprar numa data futura, o que inclui o custo do juro.

Entretanto, caso o preço da ação se desvalorize após a haver comprado a termo, o investidor terá prejuízo, pois terá que pagar no vencimento do termo um preço mais alto do que está sendo praticado no mercado à vista. Situação em que pode ser obrigado a encerrar o termo antes do seu prazo de vencimento, de forma a evitar maiores prejuízos.

“O que eu temo não é a estratégia do inimigo, mas os nossos próprios erros”.

Péricles

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